Integrais e o Teorema Fundamental do Cálculo
(cod: P-67-38-6) O objetivo deste exercício é explorar o conceito de integrais definidas.
Considere uma função \(f\) definida em um intervalo \([a,b]\). Uma partição do intervalo \([a,b]\) é uma divisão de \([a,b]\)
em subintervalos. Mais precisamente, uma partição é obtida a partir da escolha de pontos
\[\small{a = x_0 < x_1 < x_2 < \cdots < x_{n-1} < x_n = b},\]
de modo a dividir o intervalo \([a,b]\) em \(n\) subintervalos
\[ [x_0,x_1], [x_1,x_2], \dots, [x_{n-1},x_n]. \]
Em cada subintervalo da partição, escolhemos um ponto amostral. Para \( i \in \{1,2,\dots,n\}\),
denotamos o \(i\)-ésimo ponto amostral por
\[x_i^* \in [x_{i-1},x_i]\]
e denotamos por \[\Delta x_i = x_i - x_{i-1}\] o comprimento do \(i\)-ésimo subintervalo.
Dadas essas escolhas, temos então uma soma de Riemman para \(f\) dada por
\[\small{f(x_1^*)\Delta x_1 + f(x_2^*)\Delta x_2 + \cdots + f(x_n^*) \Delta x_n},\]
ou ainda, utilizando a notação sigma,
\[\sum_{i=1}^n f(x_i^*) \Delta x_i.\]
A figura abaixo ilustra a situação com \(n = 6\). Nela, as bases dos retângulos representam os subintervalos da partição (não exibimos os pontos
\(x_1, x_2, \dots, x_n\) da partição, apenas os pontos amostrais).

No exemplo acima, cada uma das quatro primeiras parcelas da soma de Riemann representa a área de um retângulo azul, enquanto a última e a penúltima parcelas
são negativas (pois \(f\) é negativa nos dois últimos pontos amostrais), sendo que o valor de cada uma dessas parcelas é obtida multiplicando a área de um retângulo rosa
por \((-1)\).
Dizemos que \(f\) é integrável no intervalo \([a,b]\) se existe um número \(L\) tal que
\[ \lim\limits_{\text{máx } \Delta x_i \to 0} \sum_{i=1}^n f(x_i^*) \Delta x_i = L,\]
onde esse limite significa que podemos tornar uma soma de Riemann tão próximo quanto quisermos de \(L\), independente das escolhas dos pontos amostrais,
bastando para isso que o comprimento máximo dos subintervalos da partição seja suficientemente pequeno. Neste caso, dizemos que a
integral definida de \(f\) de \(a\) até \(b\) é igual a \(L\). Utilizamos a notação \(\int_a^b f(x) \, dx\) para representar essa integral, de modo que
\[\int_a^b f(x) \, dx = \lim\limits_{\text{máx } \Delta x_i \to 0} \sum_{i=1}^n f(x_i^*) \Delta x_i.\]
Há um teorema importante que garante que se \(f\) é contínua em \([a,b]\), então \(f\) é integrável em \([a,b]\).
Sendo \(f\) uma função contínua em \([a,b]\) (portanto, integrável), podemos aproximar o valor da integral de \(f\) por somas de Riemann tomadas de modo sistemático. Para cada
\(n \in \mathbb{N}\), tomemos uma partição regular de \([a,b]\) em \(n\) subintervalos de mesmo comprimento \(\Delta x = \dfrac{b-a}{n}\).
Note que \(\Delta x \longrightarrow 0\) quando \(n \longrightarrow + \infty\). Assim, independente das escolhas dos pontos amostrais, temos que
\[\int_a^b f(x) \, dx = \lim\limits_{n \to + \infty} \sum_{i=1}^n f(x_i^*) \Delta x.\]
É claro que, fixada uma partição regular, existem inúmeras maneiras distintas de escolher pontos amostrais. Há algumas escolhas mais usuais, como, por exemplo,
tomando como ponto amostral o ponto médio de cada subintervalo. Na animação abaixo, que ilustra o processo quando aumentamos \(n\), utilizamos como
ponto amostral a extremidade direita de cada subintervalo. Para esta escolha, a soma de Riemann associada é chamada de soma de Riemann à direita.

Observamos que quando a função \(f\) é não negativa no intervalo \([a,b]\) (isto é, \(f(x) \geq 0\) para todo \(x \in [a,b]\)), a integral de \(f\)
representa a área da região entre o eixo das abscissas e o gráfico de \(f\), com \(x\) entre \(a\) e \(b\). Entretanto, este não é o caso em geral. No exemplo de nossa ilustração, o valor da integral pode ser geometricamente
interpretado como a diferença entre a área da região azul e a área da região rosa, conforme indicado abaixo.

Vamos nos ocupar agora de um exemplo específico. Considere a função \(f(x) = x^2 - 1\) e o intervalo \([-1,2]\). Para cada \(n\), considere a soma de Riemann à
direita de \(f\) nesse intervalo. Temos que
\[\Delta x = \dfrac{2 - (-1)}{n} = \dfrac{3}{n}\]
e que o \(i\)-ésimo ponto amostral é dado por
\[x_i^* = x_{i+1} = -1 + i\left(\dfrac{3}{n}\right).\]
Assim, temos que
\[f(x_i^*) = \left(-1 + \dfrac{3i}{n}\right)^2 - 1 = \dfrac{9i^2}{n^2} - \dfrac{6i}{n}.\]
Portanto,
\[f(x_i^*)\Delta x = 9 \left(\dfrac{3i^2}{n^3} - \dfrac{2i}{n^2} \right).\]
Trabalhando algebricamente a expressão da soma de Riemann e, em seguinda, calculando o limite, podemos concluir que
