(cod: P-68-41-9) O objetivo deste exercício é apresentar uma demonstração para a primeira parte do Teorema Fundamental do Cálculo.

Teorema Fundamental do Cálculo (parte 1): Seja \(f\) uma função contínua em um intervalo baerto \(I\) e seja \(a \in I\). A função \[F(x) = \int_a^x f(t) \, dt\] é uma primitiva ou antiderivada de \(f\) em \(I\), ou seja, \[\dfrac{d}{dx}F(x) = f(x).\]

Obs: Note que a variável da função \(F\) é o limite superior de integração. Dentro da integral, para que não haja confusão, utilizamos outra letra para representar a variável (chamada variável muda). Aqui usamos \(t\), mas poderíamos ter usado qualquer outra.

Considere \(x \in I\) (na figura abaixo, tomamos \(x > a\), mas o argumento pode ser feito em qualquer caso) e tomemos \(h > 0\) de modo que \(x+h\) ainda esteja em \(I\).


Temos que \[F(x+h) - F(x) = \int_x^{x+h} f(t) \, dt. \] Por outro lado, existe \(c = c_h\) (que depende de \(h\)) entre \(x\) e \(x+h\) tal que \[\int_x^{x+h} f(t) \, dt = f(c_h)h. \] No caso em que \(f\) é positiva, a informação significa, geometricamente, que para um certo \(c_h\), a área da faixa marrom coincide com a área do retângulo de altura \(f(c_h)\) e base \(h\).

Portanto, \begin{eqnarray*}& & \lim\limits_{h \to 0^+} \dfrac{F(x+h) - F(x)}{h} \\ & & \\ &=& \lim\limits_{h \to 0^+} f(c_h) = f(x), \end{eqnarray*} uma vez que \(c_h \longrightarrow x\) quando \(h \to 0^+\) e \(f\) é contínua em \(x\). Podemos utilizar o mesmo argumento para o outro limite lateral, o que nos permite então concluir que \[F'(x) = \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{F(x+h) - F(x)}{h} = f(x),\]

como queríamos demonstrar.

Obs: A parte 1 do Teorema Fundamental do Cálculo diz que qualquer função contínua em um intervalo aberto possui uma primitiva. Além disso, o teorema exibe uma expressão para tal primitiva por meio de uma integral.

Obs: Segundo o teorema, podemos escrever \[ \dfrac{d}{dx} \int_a^x f(t) \, dt = f(x).\]

Obs: Se \(f: [a,b] \to \mathbb{R}\) é contínua no intervalo compacto \([a,b]\) e \(F(x) = \int_a^x f(t) \, dt\), o mesmo argumento prova que \(F\) é diferenciável em \((a,b)\) (com \(F'(x) = f(x)\)) e possui derivada lateral à direita em \(a\) e à esquerda em \(b\), sendo portanto contínua em \([a,b]\).

Temos então algumas questões?

(1) Por que vale a afirmação em marrom?

(2) Qual resultado garante a validade da frase em azul?

(3) Qual a derivada da função abaixo? \[F(x) = \int_0^x e^{-t^2} \, dt\]